23/07/2022 08h07min - Geral
3 semanas atrás

Coqueiros da Orla Morena viraram consolo para bairro de luto


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Fonte: Campo Grande NEWS


Considerado como um patrimônio do bairro, Gentil da Silva,70, partiu na madrugada do último domingo (17) e deixou praticamente todos os moradores do Cabreúva de luto. Agora para quem passa na frente da conveniência que ele administrava, na Avenida Noroeste, e a vê fechada, encontra consolo nas 25 árvores plantadas em frente ao prédio, na Orla Morena. O comerciante era natural de Campo Grande e sempre morou na região. Foi na casa que residiu desde a adolescência, que fica aos fundos da conveniência, que ele foi encontrado morto, sentado em uma cadeira onde assistia todos os domingos a missa pela televisão. O marceneiro Geraldo Telles, 62, amigo de Gentil há mais de 30 anos, foi o primeiro a sentir falta dele. Chegou cedinho no comércio para comprar pão, mas não sentiu o costumeiro cheirinho da massa recém assada que invadia o local todo dia pelas manhãs. “Entrei e vi ele sentado na cadeira do quarto onde sentava todo domingo às 4h para ver a missa. Ele tinha um coração enorme, sempre ajudava todo mundo. Ele falava as coisas na lata, o que ele não gostava ele falava. Trabalhamos juntos em 93 e vi ele plantando as árvores ali, agora ficou como um presente para a população”, relatou. As árvores em questão são coqueiros e ficus, plantados pelo próprio Gentil na Orla. Em 2016, o Lado B o entrevistou para contar a história e na ocasião, ele explicou que havia sido sua mãe que o incentivara a gostar da natureza. “Só tinha mato e os trilhos. A gente sentia que faltava algo para embelezar a nossa frente. Foi algo que eu sempre gostei de fazer”, disse naquele ano.  Agora, o grupo “Vizinhos Solidários” querem fazer uma vaquinha para colocar um busto de Gentil no meio dos coqueiros, como forma de homenagem.  “Passava ali diariamente, se eu ficasse mais de um dia sem ir, ele me ligava para ver se tava tudo bem. Agora a gente passa ali e vê a conveniência fechada, é muito triste, é uma perda muito grande. Era uma pessoa com coração aberto, todo mundo que precisava, ele ajudava. Se for para falar de todas as histórias com ele, a gente fica a noite inteira falando. A gente estava até marcando uma pescaria, só que não deu tempo”, lamentou o contador Paulo Sérgio de Souza, de 32 anos.  Ele conheceu Gentil aos 16, quando tinha acabado de sair de Vicentina (MS) para buscar oportunidades de emprego em Campo Grande.  “É toda uma vida que tive com ele. Desde os 16 anos, é até muito difícil falar, o bairro inteiro está em luto. Na última semana que ele tava vivo, inclusive, ele estava muito feliz. A gente até brincava que ele tinha ganhado na loteria e não tinha contado para ninguém. Acho que era porque ele tinha feito uma bateria de exames e os resultados estavam todos positivos”, lembrou. A autônoma Valquíria Yamacirio, 46, vizinha de porta de Gentil foi uma das últimas pessoas a vê-lo. Ela tinha costume de levar comida para ele e na noite de sábado (16), foi até a conveniência dar um prato com caldo para o senhor.  “Estava normal, conversando e brincando como sempre, foi tudo mundo pego de surpresa. Ele até brincou que, da próxima vez, queria churrasco e carne assada e eu disse que levaria, mas não deu tempo. Agora eu olho para aquelas árvores, e parece que ele ainda está ali”, lamentou. O aniversário de Gentil seria no mês que vem, dia 19, quando completaria 71 anos. O pintor Antônio Florentino dos Santos, 78, o considerava como um irmão e já estava pensando no presente de aniversário.  “A gente tinha costume de trocar presente de aniversário. O meu foi em maio e ele me deu R$ 150. Mas tá fazendo uma falta aqui. Eu ia lá todo dia, às vezes nem para comprar nada, só para conversar”, contou. Como tinha a conveniência há mais de meio século, Gentil tinha costume de vender fiado para os mais chegados. Antônio mesmo só pagava a conta no fim de cada mês. Ele disse que a conveniência deve reabrir na semana que vem, mas não será a mesma coisa. A missa de 7º dia será realizada neste sábado (23), em Campo Grande, no Santuário Estadual Nossa Senhora Perpétuo Socorro, às 19h, onde o idoso frequentava as missas toda quarta-feira.

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