20/06/2022 12h00min - Geral
2 semanas atrás

Cultivo de soja no Pantanal: saiba a opinião dos pré-candidatos ao governo de MS


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Fonte: Campo Grande NEWS


Dono de 65% do Pantanal, Mato Grosso do Sul registra a expansão da lavoura de soja, que já ocupa três mil hectares da maior planície alagável do mundo. O cultivo fica concentrado nos municípios de Aquidauana, Miranda e Coxim. Já no vizinho Mato Grosso, onde estão localizados 35% do bioma, a Lei do Pantanal, em vigor desde 2008, proíbe a “a instalação e funcionamento de atividades de médio e alto grau de poluição e/ou degradação ambiental na planície alagável”, com veto à soja.  De acordo com o estudo “Seca Extrema no Pantanal Brasileiro em 2019-2020: Caracterização, Causas e Impactos”, o bioma teve acentuados períodos de seca entre 1962 e 1965 (36 meses) e 1967 a 1972 (62 meses). O último evento de seca começou em 2018 e segue em curso.  Nos últimos anos, o ecossistema foi devastado por incêndios, numa emergência ambiental resultante da falta de chuva e queima de área para pecuária. Na maior seca em quase cinco décadas, registrada em 2020, o fogo consumiu 1,6 milhão de hectares em Mato Grosso do Sul. O ecossistema é casa de mais de 3.500 espécies de plantas, 300 espécies de peixes, 41 espécies de anfíbios, 177 espécies de répteis, 600 espécies de pássaros e mais de 150 espécies de mamíferos. Diante do cenário de avanço da soja e destruição por queimadas, o Campo Grande News questionou os pré-candidatos sobre a preservação do Pantanal em Mato Grosso do Sul e sobre o cultivo do grão na planície pantaneira.  Giselle Marques (PT) Pretendo proibir o plantio de soja no Pantanal, e também exigir estudos ambientais para o plantio dessa monocultura em todo o Mato Grosso do Sul, pois os agrotóxicos utilizados nas lavouras são levados pela chuva para os rios, contaminando-os. A soja é uma espécie exótica, e a obrigação do Governo é exigir que os produtores que estão usufruindo altos lucros com o plantio (e que são uma minoria da população) arquem com os custos de uma Avaliação de Impacto Ambiental- AVA, que é um estudo bem mais amplo do que o EIA-RIMA.  Nenhum tipo de estudo ambiental é exigido atualmente para o plantio dessas imensas áreas de soja, que estão fazendo com que algumas regiões virem verdadeiros “desertos verdes”, e o governo nada tem feito em relação a isso. A soja está chegando com força na Serra da Bodoquena, turvando os rios de Bonito. E para onde vai essa soja? Para a mesa do brasileiro que não é! Vai para a exportação, atingindo só neste ano 8,7 milhões de grãos. O número de empregos gerados é mínimo, pois a produção é altamente mecanizada, girando em torno de 3,5 trabalhadores por mil hectares de área plantada.  A soja não alimenta o brasileiro. Aliás, 70 % do que consumimos vem da agricultura familiar. E é nessa produção que pretendo investir, como governadora. Vou apoiar iniciativas como a do MST, campeão na produção de arroz orgânico. Um dos motivos dos alimentos estarem tão caros é que o Brasil está deixando de plantar arroz, feijão, mandioca, para plantar soja. A CONAB está sendo desmontada pelo atual governo federal. Lucra uma minoria que apoia o Bolsonaro, enquanto a maioria passa fome e fica com o passivo ambiental dessa política nefasta. Soja, só nas áreas já degradadas, e depois de estudos ambientais que assegurem que o meio ambiente esteja protegido. Eduardo Riedel (PSDB) Quando discutimos as políticas ambientais devemos respeitar três eixos primordiais: a preservação da biodiversidade, proteção dos mananciais de águas e o balanço do carbono. Certamente que a preservação do Pantanal, bioma mundialmente reconhecido e importantíssimo para o Brasil e Mato Grosso do Sul, terão lugar de destaque em nosso governo.  O Estado já assinou, ainda em 2018, um acordo internacional de proteção ao Bioma, a ‘Declaração para a Conservação, Desenvolvimento Integral e Sustentável do Pantanal’, durante o Fórum Mundial das Águas, ou seja, já temos um compromisso de preservar essa região única no país, e que agora ganhou ainda mais notoriedade nacional e internacional, com a exibição de uma novela que leva seu nome e aumentou desejo do mundo de conhecer nossa fauna e flora.  Mato Grosso do Sul foi pioneiro na implantação do PSA (Pagamento de Serviços Ambientais). Proteger o Pantanal é um princípio norteador das nossas políticas públicas ambientais, e não temos dúvida que iremos implementar uma mudança de paradigma econômico e ambiental para promover o desenvolvimento sustentável com o equilíbrio entre o econômico, o social e o ambiental. E não podemos esquecer do papel que o Bioparque Pantanal cumprirá nesse sentindo, pois ele já uma referência mundial. Há um número muito pequeno e restrito a poucas regiões, de áreas de plantio de soja no Pantanal. Há também, em contraponto a isso, pelo menos 3,5 milhões de hectares em áreas degradas que podem ser convertidas no plantio do grão, sem que haja necessidade de avançar em áreas de conservação, como o Pantanal, e nisso também o Estado já avançou bastante.  André Puccinelli (MDB) Soja não deve ser plantada na planície pantaneira, mas apenas em áreas restritas da Bacia do Paraguai sob regulamentação governamental. O Pantanal é Patrimônio da Humanidade e deve ser preservado, permitindo-se tão somente a exploração da pecuária extensiva sem substituição das pastagens nativas e exploração turística sem degradação do meio ambiente.  A educação ambiental deve começar nas escolas, onde nossas crianças aprenderão tudo sobre preservação ambiental. Temos que ensinar que queimadas devem ser controladas para se evitar acidentes. Esse é apenas um exemplo. O Aquário do Pantanal, quando totalmente concluído, será um importante aliado para a consciência ambiental, para que nós sul-mato-grossenses preservemos o patrimônio da humanidade, o nosso Pantanal. Marquinhos Trad (PSD) A soja é um importante produto de exportação do Mato Grosso do Sul, mas a abertura de novas áreas para seu plantio pode causar danos ambientais por vezes irreversíveis. O Pantanal precisa ser preservado para que se evite a erosão do solo e o assoreamento dos rios e até as enchentes repentinas nas épocas de chuva. Ampliar as áreas pode ser problemático pois precisamos evitar o pantanal secar, e assorear, afetando a maior área alagada do planeta, seus recursos hídricos, de biodiversidade, cultura e turísticos.  Há áreas de cerrado já degradadas que , se usadas, podem triplicar a produção de soja sem que haja a derrubada de nenhuma árvore ou arbusto. A solução para que haja produção, preservando a biodiversidade e os recursos naturais passa por inovação. Parcerias com os produtores e com a EMBRAPA são cruciais nisso, para desenvolver tecnologia capaz de aumentar a produtividade sem necessidade de desmatamento.  A pecuária pantaneira também pode inovar, precisamos agregar valor à carne produzida sustentavelmente. Podemos investir em um selo verde e carne orgânica com documento de origem controlada. Além disso, a fiscalização da lei ambiental tem que ser rigorosa e , por isso, precisamos dotar o IMASUL de meios humanos e materiais suficientes para garantir o seu cumprimento. Temos também os problemas decorrentes da mudança climática que atinge nossos biomas e exige um esforço global com ação local para sua contenção.  A UEMS também pode ter um papel importante enquanto centro de estudos das questões ambientais. Há muito a fazer e, talvez, sem necessidade de proibição do plantio. O manejo sustentável e o aumento de produtividade, conduzidos por inovação e tecnologia, podem ser de grande ajuda para resolvermos os problemas. Capitão Contar (PRTB) Sempre defendi o desenvolvimento econômico aliado à conservação do meio ambiente e esse tema será tratado com muito cuidado, dedicação, responsabilidade e, acima de tudo, com a agilidade que o assunto exige. Programas de monitoramento, fiscalização, legislações pontuais tratando de forma distinta as nossas áreas, fiscalizações e parcerias inclusive com os proprietários locais, são meios de trabalharmos desenvolvimento e preservação do Pantanal. Em geral, nas terras do Pantanal é desenvolvida a pecuária, que é uma atividade cultural da região, porém, muitos já enxergam no ecoturismo, uma atividade além de rentável, muito gratificante. Pessoas de várias partes do mundo vêm observar nossa natureza, que é exuberante. Mato Grosso do Sul, pode ser exemplo de desenvolvimento e preservação, mas, para isso precisamos de ações governamentais urgentes. Quando se fala em preservação ambiental o Estado não pode ser moroso, pois o avanço é rápido demais, e de forma descontrolada pode causar um dano imensurável. Assim, a exploração econômica do Bioma Pantanal, é algo que requer atenção, uma vez que já somos testemunhas das transformações existentes decorrentes da omissão do Poder Público, o que sem dúvida alguma além de inaceitável é um risco, não só para o meio ambiente, mas para todos nós. Rose Modesto (União Brasil) A legislação ambiental vigente precisa ser respeitada e não podemos ter postura diferente em relação a isso. Ocorre que a Constituição diz que cada bioma necessita de legislação própria, e o Pantanal não possui, ainda, a sua lei específica.  Nosso governo vai promover uma ampla discussão sobre o tema, ouvir todos os segmentos: produtores rurais, pantaneiros, pesquisadores, ambientalistas e populações das cidades pantaneiras e de todo o estado para chegarmos a um entendimento que norteie a construção dessa ferramenta legal tão importante para o Mato Grosso do Sul e para o mundo.  Há cerca de duzentos anos, a pecuária extensiva foi introduzida no Pantanal e, desde então, em vez de impactar negativamente, ajudou a preservar o bioma. Isso é um modelo que alia preservação e produção e é isso que queremos para nosso estado. O planeta pede sustentabilidade e precisamos seguir esse caminho. Mato Grosso do Sul é gigante no agronegócio e precisamos expandir nossa produção.  Hoje, existem muitas áreas degradadas que podem ser recuperadas para impulsionar o avanço agrícola sem derrubar uma árvore sequer. Existe programa governamental que incentiva essa prática e vamos aprimorá-lo. O Pantanal é um estoque de belezas naturais, de diversidade de fauna e flora com diversas vocações econômicas que não colocam em risco o ecossistema, como a própria pecuária, o turismo, o extrativismo sustentável e outras. Nosso compromisso é apoiá-las e preservar o Pantanal, para que pessoas e natureza prosperem juntas. 

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