22/06/2022 07h58min - Geral
2 semanas atrás

Preso, condenado reencontra irmão que "puxou" cadeia no lugar dele por 22 dias


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Fonte: Campo Grande NEWS


Emilson Rodrigues da Costa, 52 anos, foragido do sistema penal foi preso na madrugada de hoje, empurrando carro no Jardim Tijuca. Ao ser abordado, ainda tentou se identificar com o nome do irmão, o gesseiro Edimilson Rodrigues da Costa, 49 anos.   Por causa da estratégia, já adotada anteriormente por Emilson, o outro, Edimilson, foi preso por engano e passou 22 dias no IPCG (Instituto Penal de Campo Grande), até que ontem teve a liberdade concedida pelo juiz da 2ª Vara de Execução Penal, Albino Coimbra Neto. O caso foi mostrado em reportagem do Campo Grande News  nessa terça-feira. Menos de 12 horas depois, por volta das 3h da madrugada de hoje, Edimilson foi acordado pela Polícia Civil, avisado que deveria comparecer à Depac/Cepol (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) para colher impressões digitais. O motivo era a prisão do irmão, ocorrida poucas horas antes.  “Os policiais pediram para que eu viesse [delegacia] para pegar minha digital, trouxeram ele para cá e pediram para comprovar que sou inocente e, ele, culpado”, contou Edimilson. Foram cerca de três horas na delegacia até que se fizesse a coleta de digitais e se definisse quem era quem. “Ficou comprovado que eu sou ele, ele é ele”, disse, aliviado.  Frente a frente com o irmão, depois de 13 anos sem contato, Edimilson disse que ele pediu desculpas por usar seu nome durante anos. “Falei que o que ele fez não tem desculpas, falei para ele pagar pelo crime dele e seguir com a vida dele”, disse o gesseiro, bastante emocionado, acompanhado da esposa, Sueli.  Segundo informações apuradas pela reportagem, Emilson foi preso por acaso. Visto empurrando carro em uma rua do Jardim Tijuca, foi abordado e identificado, tendo mandado de prisão em aberto por ser evadido da Gameleira. Ele ainda tentou dizer que era o outro, mas os policiais militares já tinham conhecimento da confusão entre irmãos.  Emilson foi condenado por crimes de homicídio qualificado, tráfico de drogas e roubo, com penas que somam 22 anos, 9 meses e 15 dias. Estava na Gameleira, onde cumpria regime semiaberto e fugiu no dia 19 de abril. No dia 23 de maio, o juiz da 2ª Vara de Execução Penal, Albino Coimbra Neto determinou a perda da progressão e volta ao regime fechado, por conta da evasão.  Foi aí que os caminhos dos irmãos se cruzaram novamente. No dia 30 de maio deste ano, Edimilson Rodrigues da Costa foi até a Depac/Cepol registrar o falecimento da mãe, Raimunda. Como o irmão usou o nome dele em várias ocasiões, constava um ofício, emitido pela Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) com a informação que Edimilson era foragido da Gameleira.  No processo da Vara de Execuções Penais contra Emilson a confusão permanece, até com a ficha criminal com o rosto dele e os dados do irmão e, em outras páginas, os despachos com o nome correto do condenado. Foi solto somente ontem, 22 dias da prisão. O juiz havia determinado alvará de soltura no dia 14 de junho, mediante identificação datiloscópica, mas outra confusão, com envio de documentos para presídio errado, retardou ainda mais a liberdade, que só ocorreu ontem.  O advogado José Gondin, que representa Edimilson, diz que agora a coleta de digitais comprovou a identidade de cada um e o processo seguirá os trâmites, para que todos crimes que constam na ficha dele sejam repassados ao irmão, que os cometeu. No sistema, consta lesão corporal, ameaça, roubo tentado, dano e ameaça. “Nada disso é dele”, afirmou.  Edimilson voltou para casa com a esposa, agora, com expectativa de não se mais confundido com o irmão. Resposta - Em contato com a Agepen, o Campo Grande News foi informado ontem que “apenas executa as determinações judiciais, não interferindo no trâmite processual. O referido interno está sendo liberado nesta tarde, após a realização do exame de datiloscopia, realizado pela perícia técnica da Polícia Civil, conforme condicionado no próprio Alvará de Soltura”.  No Instituto de Identificação da Polícia Civil, a informação foi de que não se sabe a razão da demora para fazer o exame, e que o pedido chegou ao instituto apenas ontem. 

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