21/06/2022 16h19min - Geral
2 semanas atrás

Preso por engano durante 22 dias, Edimilson perdeu até o enterro da mãe


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Fonte: Campo Grande NEWS


Edimilson Rodrigues da Costa, de 49 anos, ficou preso por 22 dias por engano. Detido em 30 de maio quando registrava boletim de ocorrência sobre a morte da mãe, ele foi confundido com o irmão, Emilson Rodrigues da Costa, de 52 anos e que por alguns anos usou documentação em nome de Edimilson. Mas além que passar dias preso irregularmente e não poder nem mesmo acompanhar o enterro da mãe, é ter alvará de soltura emitido em 14 de junho e só ser solto seis dias depois, prolongando a estadia no Instituto Penal de Campo Grande, de onde saiu apenas hoje, indo direto para os braços da esposa e da filha. “Foi difícil. Eu dormia no chão, não dormia direito. Estava com um monte de bandido, traficante dentro da cela. E meu próprio irmão que fez as coisas no meu nome”, relatou emocionado Edimilson, que é gesseiro no Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian. À reportagem, ele contou ainda que em 20 dias o nome dele voltará a estar “limpo” no sistema e começou a chorar ao ser questionado sobre o enterro da mãe, que não pôde acompanhar porque havia sido detido. Ele não conseguiu responder a pergunta. Por fim, alegre ao ser recebido pela família – além da esposa e da filha, cunhados e sobrinhos esperavam sua saída – ele só chorava, sem condições de falar. Eles foram embora, juntos, e aguardando que a total justiça seja feita. Caso –  ao que parece, a confusão de nomes, que começou na Depac/Cepol (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário), se manteve durante a prisão e confundiu até mesmo a Justiça e a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário), que segundo o advogado José Gondim, emitiu pedido de soltura para presídio de Aquidauana, onde Emilson cumpriu pena por um período. “O juiz determinou que para tirar dúvida, tinha que coletar digital do Edimilson. Na segunda foi feriado. Na terça, a diretora do cartório encaminhou alvará de soltura para IPGC, de onde foi enviado pedido para coletar digitais ao Presídio de Aquidauana. Falei com Agepen. Quando foi na quarta, verificamos que os documentos tinham ido para Aquidauana”, contou. Gondin comentou ainda que há algum tempo atrás, Emilson usou nome do irmão para cometer crimes e também para fugir do Presídio de Regime Semiberto da Gameleira. “E nesse processo (de falsidade ideológica) foi provado que Edimilson era inocente e Emilson foi condenado”, disse o advogado, enfatizando que as passagens em nome de Edimilson, são na verdade, de Emilson.   O advogado ainda comenta que os irmãos não têm contato há bastante tempo, até mesmo porque Emilson ficou preso por muito tempo. Família -  Sueli Aparecida Brites da Silva,  42 anos, é dona de casa e passou dias muito difíceis longe do marido, com quem é casada há 10 anos. “Eu tô abalada, né moça?. Eu penso na situação que ele está. Ele não deve nada. A vida toda trabalhou, pensa em homem trabalhador!”, comentou enquanto esperava a saída. Ela nem mesmo conseguiu visitá-lo na cadeia, porque para tirar a carteirinha de visitante demora uma semana. “Consegui só levar roupas e coberta. Ele nem foi para velório da mãe”, lamentou Sueli, lembrando que a sogra morava com eles em casa, quando morreu, vítima de um AVC (Acidente Vascular Cerebral). A filha do casal, de 6 anos, esperava ansiosa pelo pai, a quem chama de “Pipe”. “Expliquei para ela, ela é inteligente. Ela está chorando bastante. Chama o pai de Pipe. “Mãe, eu quero meu pipe”, ela fala o tempo todo”. Sobre o cunhado, ela conta que nunca o viu. Além de Emilson e Edimilson, havia uma terceira irmã, mas que já é falecida. Emilson tem passagem por homicídio, estupro, violência doméstica e tráfico de drogas, além de roubo e falsa identidade. Reposta - Em contato com a Agepen, o Campo Grande News foi informado que “apenas executa as determinações judiciais, não interferindo no trâmite processual. O referido interno está sendo liberado nesta tarde, após a realização do exame de datiloscopia, realizado pela perícia técnica da Polícia Civil, conforme condicionado no próprio Alvará de Soltura”. No Instituto de Identificação da Polícia Civil, a informação foi de que não se sabe a razão da demora para fazer o exame, e que o pedido chegou ao instituto apenas ontem. O advogado de Edimilson afirmou que entrará com ação na Justiça para indenização. “Hoje vai fazer 22 dias que ele está preso. Única fonte de renda é o trabalho dele como gesseiro. Ele não conseguiu nem ir no velório da mãe dele. Está muito abalado. Tudo isso causou danos irreparáveis para ele”. Os rostos não foram expostos a pedido da família.

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