14/07/2021 11h08min - Geral
3 semanas atrás

Setor privado não conclui projetos de R$ 18 bilhões


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Fonte: SulNews


SUZAN BENITES / CORREIO DO ESTADO Na última década, Mato Grosso do Sul teve diversos empreendimentos de grande porte anunciados. Entre eles, três emblemáticos prometeram investimentos que somam R$ 18 bilhões e prometiam gerar até 12 mil empregos diretos e indiretos.  No entanto, ficaram apenas no projeto ou deixaram obras iniciadas que estão se perdendo no tempo. São pelo menos três grandes obras listadas como maiores investimentos do período.  A fábrica de fertilizantes em Três Lagoas, a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN3), que foi orçada em R$ 3,9 bilhões; a megaindústria de processamento de milho do grupo chinês BBCA, em Maracaju, com investimentos de R$ 6,3 bilhões (US$ 1,21 bilhão); e a usina de energia solar e fábrica de placas fotovoltaicas que seria instalada em Anaurilândia, pelo grupo sul-coreano Korea System Business (KSB), que prometia R$ 7,8 bilhões em investimentos no Estado (US$ 1,5 bilhão). UFN3 A primeira e mais emblemática é a UFN3. A fábrica de propriedade da Petrobras, começou a ser construída em 2011 e teve as obras paralisadas em 2014, após avanço da operação Lava Jato. Em 2018, começou a ser oferecida ao mercado, mas até o momento não houve resolução na continuidade do empreendimento.   O titular da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck, havia confirmado no início do ano que a venda seria concluída até março. Segundo ele, desde o anúncio da mudança de comando da Petrobras, em fevereiro, não houve mais avanços. “Não temos nenhuma novidade nem cronograma. Está parado totalmente. Depois que a Petrobras trocou a presidência, a gente não tem mais nenhuma informação. A gente não está tendo informação em relação a isso. Os editais eram para ser republicados. E, depois da mudança de presidência, a gente não viu mais nada”, disse o secretário ao Correio do Estado. A estatal confirmou que não há novas tratativas para a continuidade do negócio. “Não há nenhuma novidade sobre as tratativas para a venda da fábrica”, informou em nota. A unidade integrava um consórcio composto por Galvão Engenharia, Sinopec (estatal chinesa) e a Petrobras. Quando foi lançada, a planta estava orçada em R$ 3,9 bilhões. Conforme projeção da gestão estadual, a fábrica geraria 9 mil empregos indiretos e mil diretos após funcionamento.   Após a Operação Lava Jato, em que os responsáveis pela Galvão foram envolvidos em denúncias de corrupção, as obras pararam. A Petrobras absorveu todo o empreendimento. Quando as obras da unidade foram paralisadas, 83% da indústria já estava concluída. O secretário aponta que como está há sete anos parada, o prejuízo com a planta fica cada vez maior.   “Quanto mais tempo esse projeto demorar para ser retomado, maior é o custo, maior é a necessidade de investimento e maior é a necessidade de alteração de tecnologia”, afirma Verruck.      Projetos – Arquivo/Correio do Estado BBCA Outro megaempreendimento que ficou apenas com parte da estrutura pronta é a esmagadora de milho em Maracaju. As tratativas para a instalação da indústria começaram em 2013. Em 2015, o acordo foi firmado com a promessa de mil empregos entre diretos e indiretos e investimentos de US$ 1,21 bilhão (convertido hoje em R$ 6,3 bilhões).   A esmagadora, do grupo chinês BBCA, planejava processar 200 mil toneladas de milho por ano somente na produção de amido e farelo do cereal. Ainda havia a promessa de produzir ácido polilático (PLA), material utilizado em produtos biodegradáveis, como copos. Os investidores receberam incentivos fiscais, como a doação de terreno de 102 hectares pela prefeitura do município e ainda receberia incentivos para se instalar oferecidos pelo Executivo estadual. Na área doada pela prefeitura de Maracaju foram construídos dois armazéns de grãos e um barracão, além de 30 casas para os futuros funcionários. Atualmente, a estrutura segue locada por uma cooperativa. Segundo o secretário Jaime Verruck, caso o projeto seja retomado, será com uma estrutura menor. “Na minha avaliação, eles devem ter errado muito na estratégia deles, e eu não acredito que eles venham a ter o empreendimento que tinham sinalizado lá atrás. A retomada desses chineses vai ser muito lenta, eu não acredito que no curto prazo retomem aquela obra da BBCA”, avalia Verruck.   “Se retomarem, que é o que eles estão sinalizando, vão retomar com um processo menor que eles planejavam”, completa.   De acordo com a Prefeitura de Maracaju, caso não haja uma resposta de cronograma ou retorno dos empresários para a cidade, a gestão municipal deve pedir de volta parte do terreno avaliado em R$ 3,07 milhões.   ENERGIA SOLAR   O grupo sul-coreano Korea System Business (KSB) anunciou investimento de US$ 1,5 bilhão (R$ 7,8 bilhões) para a construção de uma usina fotovoltaica e uma fábrica de painéis solares em Anaurilândia. O empreendimento foi anunciado em 2019 em reunião entre os investidores, o governador e o prefeito. Articulações para oficialização do negócio já vinham ocorrendo há algum tempo e o martelo foi batido em abril daquele ano, quando os representantes do KSB anunciaram publicamente que a decisão foi tomada para o investimento na cidade.   Conforme divulgado na época, a previsão era de que a obra tivesse início em 2020 e começasse a operar em até 48 meses.   Segundo a gestão de Anaurilândia, a construção e operação da usina geraria mil empregos e impulsionaria a economia local e regional.   O empreendimento também recebeu incentivos do Estado e do município para se instalar em Mato Grosso do Sul.  Como a isenção do pagamento de compensação ambiental, por parte do governo, o município se comprometeu a oferecer garantias e incentivos necessários, sendo principal a doação da área de 18 milhões de metros quadrados para a construção do empreendimento. Na época, o CEO da KSB Coreia e da Enspire KSB Energy, Jong Bokpark, destacou a qualidade do investimento. “Já viemos aqui a Mato Grosso do Sul várias vezes e sempre recebemos apoio. Vamos trazer a melhor tecnologia do mundo para esse projeto”. Seria o primeiro investimento da empresa coreana no País. A reportagem tentou entrar em contato com a BBCA e KSB, mas não houve retorno até o fechamento da reportagem. 

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